VEIGA
(in memoriam)

O BOLICHE NO BRASIL

No Brasil temos poucas pistas de nível internacional. A maioria, além de ser feita fora das medidas legais, é confeccionada em madeira inapropriada para a prática do esporte. O problema geralmente é a grande dificuldade em se encontrar o material exigido, fazendo com que os interessados tenham que importá-lo, o que aumenta suas despesas e, para compensa-las, os boliches elevam o custo da hora de uso das pistas, tornando o esporte inacessível para a maioria dos atletas.

Os pinos de fabricação nacional são de plástico duro, inclusive em seu interior, o que foge totalmente às exigências e especificações da FIQ.

As bolas que cumprem as exigências da FIQ são as importadas pois as nacionais não tem quase nada das especificações exigidas. Há hoje uma variedade de bolas, próprias para serem usadas de acordo com a oleosidade da pista. Logo, é requerida uma certa técnica para se tornar um grande atleta de boliche mas, de qualquer forma, o aprendizado não é tão difícil pois, como qualquer outro esporte, este também apresenta facilidades e dificuldades.

O aprendizado do boliche é muito prático e fácil, se pensarmos apenas no princípio de derrubar os pinos. Porém, para que o atleta se torne um campeão é necessário material de qualidade e condições para treinar muito.

Desde o Pan Americano de Cuba, o boliche foi incluído nas competições oficiais do Comitê Olímpico Pan Americano. O Brasil participou no de Cuba e Argentina.

Para se praticar o boliche em nível olímpico, é necessário material apropriado (bolas, sapato, luva, etc.) que é muito caro no Brasi, por ser importado. Além disso tem o custo do aluguel da pista, dificultando um treino suficiente de 3 à 4 horas diárias.

Embora São Paulo possua pistas de qualidade para a competição, na prática são utilizadas mais como lazer, pois a disputa em nível internacional está restrita a poucos atletas que conseguem superar a barreira financeira, conseguindo arcar por conta própria com os custos de treinamento e material.

A solução para aumentarmos o número de praticantes do esporte de boliche é o barateamento do custo das competições e treinos, através de patrocínio de empresas, por exemplo, visto que os proprietários de boliche dificilmente poderão reduzir os seus preços em razão direta dos altos investimentos para se montar um boliche de qualidade.

Só nos resta acreditar que num futuro próximo as coisas se modifiquem para melhor.

José Luiz Veiga

abril/98

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